Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Encontro Picnic na Tapada da Ajuda - Instituto Superior de Agronomia

Aqui ficam os restantes desenhos e duas fotos tiradas durante o encontro :-)








Tapada da Ajuda




O último desenho que fiz - um bocadinho de casca de uma árvore que se encontrava no chão. O que eu chamo as pequenas grandes coisas e que, para mim, são muito desenháveis.

Os dois desenhos que fiz em caderno grande ficarão para quando tiver tempo de os passar no scanner.

domingo, 25 de junho de 2017

Santarém

Santarém estave cheia de gente, de sketchers, de vontade, de coisas para ver e pessoas para conhecer.
Depois de alguma caminhada explorando ruas e jardins, eu e o Pedro Alves paramos no jardim e miradouro das Portas do Sol, a vista era de tirar o fôlego. Ficamos ali a rabiscar e a pintar, falando de aguarela e paisagem, do Ribatejo e da vida.


De tarde, a sesta aliciava, mas havia tanta coisa para ver e tentar desenhar.
A chuva ainda me atrapalhou as linhas e o tempo passou a correr, aqui ficou Pedro Alvares Cabral, descobridor do Brasil, com descanso eterno na Igreja da Graça, cheia de detalhes e uma daquelas rosáceas hipnotizantes.

Tapada da Ajuda

Sempre tivera curiosidade pela grande área do Instituto Superior de Agronomia, durante alguns anos frequentei uma parte da tapada e alguns atravessamentos, nunca imaginaria toda a sua dimensão assim como o valor de algumas pérolas ali escondidas.
Neste encontro arrastei mais uma sketcher nova e acho que é para continuar :)

Desenho em andamento pela manhã.


 Vistas sobre os campos e Lisboa, estendendo a margem sul até ao horizonte do Algarve (quero acreditar)

 Observatório Astronómico de Lisboa e o seu jardim romântico, como um amante esquecido, perdido, entre o silêncio e o cantar dos pássaros, envelhecendo com o tempo.


Manto de dragoeiros e sketchers à conversa sobre desenho e sobre a vida.

Uma tarde fabulosa, pelas pessoas, pelas partilhas, pela beleza do que conseguimos ver nos traços invisiveis... 

A malta do 767

No 767

No dia seguinte na paragem à espera do 767

Porto_dia IV (o ultimo)

dia 18 de junho
último dia no Porto
Álvaro Siza Vieira comemora hoje 84 anos (dia 25 de junho), mas decidi homenageá-lo há uma semana, no meu último dia no Porto.
Saímos cedo, desta vez de automóvel, rumo a Leça da Palmeira, mas pelo caminho um pequeno desvio - uma visita ao Bairro da Bouça. Este bairro social foi construído no âmbito do SAAL, em 1976. Domingo, 10h a maioria das pessoas encontra-se a dormir. Cá fora no grande relvado (qual condomínio de luxo), crianças jogam à bola e riem-se para mim a desenhar. Devem ter pensado "mais um..."
40 anos despois a obra revela, em cada recanto, a sua contemporaneidade..

Agora sim, rumo a Leça da Palmeira, onde encontrámos a obra-prima de Siza - a Casa de Chá da Boa Nova, inaugurada em 1963. O projecto começou a ser desenhado em 1957, sim há precisamente 60 anos, quando Siza ainda era aluno e colaborador de outro grande mestre, o arq. Fernando Távora.

O edifício encontra-se implantado mesmo em cima das rochas, junto ao mar. A chegada é feita por percursos cuidadosamente desenhados pelo mestre, "obrigando-nos" a explorar e a desfrutar das vistas sob o edifício e sob a paisagem. A arquitectura em plena harmonia com o lugar.  Muito havia por escrever e por desenhar, mas a admiração que tenho pela obra não me deixa ser isento. Deixo-vos alguns desenhos.

Parece que o Restaurante é explorado pelo Chef Rui Paula, mas estava fechado, sim aos domingos encontra-se encerrado. Dá para acreditar?

A 2ª paragem em Matosinhos, foi no local onde se encontram as piscinas das marés, outra obra de Siza Vieira, também ela construída nos anos 60. Mais uma obra incrível, muito difícil de descrever e ainda mais difícil de desenhar - o sol também não ajudou. Assim fica uma desculpa para voltar... Até porque Matosinhos é um museu a céu aberto, repleto de obras do mestre.


Antes de regressamos (não foi fácil arrastar-me dali), ainda houve tempo para uma visita à Capela da Boa-Nova, ali mesmo ao lado do Salão de Chá, assente nas rochas.

Rumo a casa, mas antes uma despedida do Porto, como que a agradecer os excelentes 4 dias que ali passámos. Paragem - Jardins do Palácio de Cristal. Cá fora uma espécie de feira do petisco - tascas ambulantes, carrinhas personalizadas de venda de sandwich, as mais criativas que já vi. O palácio encontra-se em processo de ruína. Os jardins ainda têm vida, algo alternativa, mas vida. O miradouro oferece-nos uma panorâmica incrível sob a cidade, e claro o Douro. A harmonia só é quebrada pelas gruas que florescem como cogumelos na cidade do Porto, mas é bom sinal. é sinal que a cidade está a regenerar-se a preparar-se para um novo futuro - pelo que vi, só pode ser bom. Até breve Porto

A Sesta e a Penitência

Andava D. João de Castro, Vice-Rei da Índia no encalce de um veado, que a sua testosterona lhe prometera, quando vencido pelo cansaço se deixou adormecer. A manta morta serviu-lhe de colchão e um penedo de sombra. Até sonhou. Sonhou com um pedido: deveria construir ali um templo cristão.

D. João de Castro morreu antes de responder à solicitação. Haveria de ser o seu filho D. Álvaro de Castro a cumprir a incumbência de fundar, em 1560, um convento de frades Franciscanos: o Convento dos Capuchos ou Convento de Santa Cruz.

Quando olhamos por entre as árvores, somos convidados  reconstruir a sesta de D. João de Castro e outras lendas como a de Frei Honório: um homem religioso que não resistiu à contemplação de uma formosa rapariga que deambulava pela Serra de Sintra. Uma gruta adjacente ao singular e austero Convento dos Capuchos serviu de penitência, durante mais de três décadas, a este virtuoso frade.

Talvez Frei Honório só quisesse fazer um desenho no seu caderno.




 

E mais uma vez as escadas...

Puff....mais uma vez as escadas. Meio contente, meio a pensar como foi que me meti nisto. Falta o corrimão, mas por agora vou parar, porque descobri que fiz um erro no andar de baixo e por agora já não há forças para corrigir...


Abaixo pode-se ver a versão em 3D no flickr:

DSC_3312_proc2

Temos agora cinco lanços de escadas. Por exemplo, olhando para baixo vemos isto:


Note-se a enorme deformação no lanço inferior. Fica colado ao fundo do desenho. Não sei se conseguirei fazer outro com alguma precisão, mais abaixo ainda.

Abaixo está o desenho inicial que serviu para tirar medidas:


E finalmente, só para descontrair, algo completamente diferente:





As ribeiras da Madeira

As ribeiras da Madeira são assim.
Brutais. Talhadas a machado, directamente na rocha. E o machado é a água. E as casas mesmo na borda delas (não há betão que lhes garanta a segurança). Soltam calhaus enormes mas, com a pressa, nunca chegam a calhaus rolados. É um pavor pensar como serão as enxurradas (aluviões como por lá se chamam). Trágicas. Davam matéria para um fado.
São assim as ribeiras da Madeira.

Encontro Picnic na Tapada da Ajuda - Instituto Superior de Agronomia

Confesso que nunca tinha desenhado tanto num encontro :-) Estes são apenas os primeiros 3 de um conjunto de 6. E andei em novas experimentações em termos de estilo e pintura.
Um dia inteiro no 'campo' que me fez esquecer que estava no meio da cidade de Lisboa, ali mesmo ao lado da ponte 25 de Abril.
Um piquenique que até teve direito a toalhas giras e a jogo de badminton (ahh grande Rita que ias bem preparada para o picnic) num convívio mt mt bom que dá vontade de repetir.
Obrigada Catarina Tavares pela ajuda na organização deste encontro. Obrigada a todos que nele participaram.
Em breve colocarei aqui as fotos e enviarei por e-mail a quem lá esteve.

Comecei por uma das zonas que mais gostei de desenhar: as vinhas







Buganvilia


O Beijo

Este é um dos locais obrigatórios de Paris, o Museu Jardim de Rodin. Para a próxima vez que lá for irei preparado para desenhar mais.

Tapada da Ajuda




 


Ontem um dia óptimo na Tapada da Ajuda, muito bem organizado pela Isa e com pessoas que gostam de desenhar.

1º desenho a tinta da China; 2º grafite.

O desafio do dragoeiro

Um sítio fantástico, na Tapada da Ajuda! Um dia no campo, onde por vezes se ouviam sons lindíssimos (pássaros, cigarras...). Um bom picnic onde não faltaram toalhas, mantas, jogo de badminton e boa comida, claro!

sábado, 24 de junho de 2017

Vamos desenhar com... Suzana Nobre

Demorou um bocadinho o post mas cá está ele :)!
Muito obrigada a quem conseguiu sair de casa naquele sábado de tanto calor para vir desenhar comigo ao Museu do Carmo, e darem-me o prazer de poder partilhar com todos o meu percurso e os meus desenhos :)
Já começou um bocadinho tarde e demorámo-nos um bocadinho entre cadernos e conversa mas ainda houve forças para desenhar um bocadinho e claro, depois fomos recuperar forças com uns belos gelados :)


Como não desenhei quase nada, deixo aqui os desenhos de preparação para o desafio: diferenciar dois ou três planos com mancha de cor e linha, de forma a criar várias zonas de interesse mas com tratamentos diferentes.




10 x 10 Martim Moniz

O Martim Moniz foi o local de encontro para a sessão do 10 x10 orientada pelo José Louro sobre o desenho da figura humana. 
Num dos topos da praça (o sul) uma pequena multidão juntou-se para assistir às manobras radicais do dia mundial do skate e ao concerto que se seguiu. 
Este foi o resultado.







A minha participação na Festa da Casa da Cerca
17 Jun. 2017

















"Ramo de nozes bravas" / Aguarela sobre papel de 300gr, 47x10 cm. Sketchbook feito pela Marilisa Mesquita.

Skyline ao por do Sol - Algarve


TORRE DO TOMBO


Ontem passei a manhã na Torre do Tombo a pesquisar arquivos da PIDE. Como sempre gosto de chegar cedo ( cheguei às 8 e meia e só abria às 9 e meia ) deu para fazer uns bonecos enquanto esperava.

Demasiado quente para o Rossio

Às vezes, está demasiado calor para desenhar na rua... mas isso não nos impede de o fazer na mesma.



O Rossio não tem muita sombra. Apesar disso, quando eu e o Pedro Alves ficamos sem ideias de sítios para ir desenhar na hora de almoço, acabamos por ir dar à principal praça da baixa Lisboeta, aguentar com o sol escaldante.

Festival de Tango de Lisboa #1

É com alguma vergonha que verifico a data da minha última publicação. Mas prontes!
Aproveitei o balanço do post do Pedro Loureiro sobre o Festival de Tango de Lisboa e decidi: é hoje!

É que não podia deixar de registar a fantástica experiência que foi registar ao vivo na Voz do Operário este evento tão especial, tão único, tão envolvente, do meio tanguero que traz a Lisboa gente de todos os continentes. Literalmente.
E acho que mostrámos bem o que os urban sketchers fazem, ao registar ao vivo o festival junto com, além do Pedro, a Mónia Abreu e o Carlos Teixeira, o mentor desta iniciativa a que, pomposamente e para tanguero ver, chamámos "Tango Live Sketching". A verdade é que, no final, conseguimos reunir uma colecção bem interessante de desenhos! E com as molduras até pareciam bem especiais!


Seguindo a ordem com que fiz, começo por mostrar o registo da primeira noite do Festival feito num livro concertina (ou bandoneon?!)

que abriu com o espectáculo "Tango e Fado", com a actuação da fabulosa orquestra La Juan d´Arienzo, vinda de Buenos Aires,

do Pedro Moutinho no fado, acompanhado de guitarra portugesa e viola e, pelo lado argentino, 2 cantores Fernando Rodas e Caio Rodriguez acompanhados pela orquestra,

enquanto sucessivos pares de dançarinos argentinos mostravam porque são chamados os "maestros", entrelaçando aqueles passos de um modo que parece impossível não tropeçarem, e sempre carregados de arrebatamento e sedução.

Perto da meia-noite, o salão da Voz do Operário esvazia-se do seu público, e o incansável staff faz abrir uma pista de dança onde antes havia uma mar de mesas e cadeiras replicando um clube nocturno de Buenos Aires. De seguida reentram todos, agora com os sapatos de dança já calçados, para dar início à "milonga", um baile onde se dança o tango em sequências de 4 músicas, findas as quais se troca de par, e se continua pela noite fora até de madrugada.



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frutas do mar

Porto_ dia III

Dia 17 de junho
 
A manhã foi de encontro os Porto Sketchers (desenhos publicados no dia 19). Após o almoço za zona de Guindais, descemos a ribeira e voltámos a subir a rua Nova da Alfândega. Decidimos retomar o tour de autocarro. O desenho que se segue foi feito enquanto esperávamos - vista para o Monumento Igreja S. Francisco
 
 
Seguimos rumo à Casa da Música. Faço, uma vez mais, um esforço para entender este tipo de soluções arquitectónicas. Ainda não foi desta. Mas mais importante que os edifícios são os programas funcionais e os conteúdos ali trabalhados. Aí o valor é inquestionável. Agrada-me sobretudo a apropriação do espaço exterior.
 
 
Voltámos ao autocarro, agora rumo a Serralves. Passamos da arquitectura "objectual", para uma arquitectura de contexto, em plena harmonia com o lugar onde se encontra implantada. Os desenhos não correram bem, talvez tenha sido o peso da responsabilidade de "desenhar" o mestre Siza Vieira... É um edifício de uma beleza incrível. E o jardim...